Primeiro Dia

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Um dos faróis no bairro Bixiga representando o músico Adorinan Barbosa.

Primeiro dia, o meu grupo de 19 alunos foi o ultimo a sair da escola. Pegamos um ônibus na Santo Amaro. Descemos num ponto em que o meu conhecimento de mundo não mais se aplicava. “Agora se virem pra chegar na nossa primeira parada” disse o prof. João contemplando as nossas caras de espanto. Ok. Usamos o Google Maps, nos perdemos um pouco pelos dotes geográficos do Vinicius mas enfim chegamos na ocupação Cambridge. Em meio a um clima de estranhamento sentamos em cadeiras feitas com pneus. Na ocupação, que eu imaginava algo como pessoas deitadas em colchoes improvisados, eu subi 15 andares, conversei com um meninho, admirei um desenho na parede de Lucas (um morador que sofre com o autismo), falei sobre sapatos de salto alto com uma moradora do 6o andar. Ao longo do dia, passados pelo Centro de Apoio ao Imigrante, pela sede da escola de samba Vai Vai e pelo bairro do Bixiga. Em todo lugar que passamos eu vi diretamente o senso de comunidade que as pessoas compartilhavam. Seja este na divisão de tarefas da ocupação e a luta por um ideal em comum, seja na ajuda de cada um na vinda de pessoas de outros países, seja pela paixão pelo samba e sua relevância socio-cultural, seja na atuação de seu próprio bairro. O meu dia por completo foi marcante pra mim, porque pela primeira vez eu pude perceber que São Paulo não compartilha da minha rotina individualista. São Paulo é composto por pessoas e não prédios.

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Desenho de Lucas no espaço de recreação das crianças na ocupação Cambridge.

– Carol Medina

Hoje tiveram duas experiências que me marcaram muito, e eu sei que pediram apenas uma: a que mais me marcou. Mas acho que devo comentar as duas, pois ambas foram extremamente singulares e me afetaram de formas muito distintas. A primeira foi o olhos-nos-olhos, na oficina do corpo do Zé Maria, onde todos do grupo tiveram que passar olhando no fundo do olho de cada um. Depois disto, nós, como grupo 4 deixamos de ser apenas conhecidos aglutinados num espaço e viramos realmente o que deveríamos ser: um grupo. Conseguíamos nos locomover melhor pelas ruas, nos comunicar sem palavras… Foi lindo! A outra experiência foi muito negativa e acho que até um pouco traumatizante: eu fui atacada por uma moradora de rua. Estavamos andando para a estação de metrô ao lado do parque da juventude quando uma mendiga começou a me xingar e tentou apagar um cigarro em mim. Foi aterrorizante e totalmente inesperado. Reforçou ainda mais o meu medo de moradores de rua sob efeito de drogas e provavelmente quando meu me lembrar do meu último estudo do meio na móbile, vai ser uma das primeiras coisas na qual eu vou pensar, mas acontece, fica a experiência.

– Vic Piscopo

No primeiro dia da viagem, fiz o roteiro do consumo. De forma resumida, fomos a locais como 25 de Março, Santa Efigênia, Augusta e Oscar Freire, e no fim do dia também visitamos uma Mesquita, no Brás. Para ir de uma região à outra usamos muito o metrô, e posso dizer que foi o que mais marcou o meu dia. Primeiramente, acho que foi uma experiência essencial, já que raramente uso esse meio de transporte e foi importante aprender a me virar para chegar nos lugares e até mesmo me colocar no lugar das pessoas que utilizam o metrô todos os dias nos horários de pico.

Também tiveram dois momentos no metrô que me marcaram. O primeiro foi quando estava na esteira rolante da estação e uma mulher passou muito apressada pelo meu lado esquerdo, mas mesmo assim parou para me dizer que meus cadarços estavam desamarrados. Eu sei que parece uma coisa muito boba, mas isso me surpreendeu positivamente porque eu nunca reparo nos cadarços dos desconhecidos à minha volta e, sinceramente falando, se reparasse, provavelmente não os avisaria. Quem sabe depois disso eu passe a fazê-lo. Além disso, quando estávamos dentro de um metrô lotado (estávamos indo para a região do Brás), entrou no transporte uma mulher com sua filha de uns seis anos em uma cadeira de rodas e a gente teve que se espremer ainda mais para dar espaço a elas. Dava para ver que a mãe estava meio preocupada com a filha apertada naquele metrô, e foi muito bonitinho o momento em que a menina, que em parte do tempo estava com as mãos no ouvido por causa do barulho, pegou a mão do meu amigo e a segurou. 

– Isa Vieira

O que uma viagem ou descobrimento pode fazer com uma pessoa? Eu achava que conhecia minha cidade porque ia na casa de alguns amigos que viviam em diversas partes da cidade e frequentava alguns lugares específicos para lazer. Mas esse uso era especificamente como espaço de passagem pela metrópole. Tentar perceber o resto e a própria cidade, isso sim foi o que me marcou de forma geral. No primeiro dia segui pelo roteiro do grafite, artes, o que já me animou, não esperava que o dia fosse tão bom. Mas o que tornou-o especial ocorreu quando fomos para o SESC Pompéia para almoçar e ver a exposição de Marina Abromovic. No próprio SESC havia um galpão, no qual entramos, e nele estava tendo um projeto no qual as pessoas poderiam fazer o que quisessem em uns painéis. No final, acabou que todos do grupo acabaram com a cara pintada e com um sentimento de grupo.

-Lí Garcia

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