Segundo Dia

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Foto de uma das obras de Marina Abramovic em que a artista e seu ex marido se esbarram nus inúmeras vezes.

O segundo dia foi bem menos corrido que o primeiro. Um dia dedicado a Arte muito bom. Eu sei que eu devo ser sucinta, mas eu não consigo. Tiveram duas coisas que me chamaram a atenção.  Primeiro nós estávamos andando pelas ruas de São Paulo do nosso hotel até à 23 de Maio. Chegando lá, primeiro que a vista é de tirar o folego, segundo que eu fiquei muito emocionada. Como eu só passei por ali de carro a sensação de estar ali, a pé, podendo parar pra respirar é totalmente diferente. Foi um momento marcante porque foi um instante de sossego e paz por mais que eu estivesse no meio de uma avenida movimentadíssima. Fomos também ao SESC Pompéia onde admiramos a exposição da performer Marina Abramovic e eu tive o meu segundo momento. Suas obras são extremamente perturbadoras. Vê-la gastar sua voz por dias sem parar, ou encarar pessoas sem parar para comer ou dormir era desesperador e o primeiro impulso de qualquer um seria desviar o olhar. Para mim tal impulso era impossível, Marina apesar de assustadora é extremamente viciante e intrigante. Ver suas obras me marcou muito, e por serem vídeos, ou áudios que de longa duração que requerem muita atenção, eu senti que passamos muito pouco tempo lá.

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Outra obra de Marina em que são contadas várias histórias impactantes enquanto a artista encara um burro.

– Carol Medina

No segundo dia meu grupo foi para a região do Bom Retiro. Visitamos a ocupação Mauá, a Estação da Luz, o Parque da Luz, a Cia de teatro Faroeste, a São Paulo Companhia de Dança e a Casa do Povo. O que mais me marcou foi a visita à ocupação. Eu não sabia exatamente o que esperar dela, talvez um prédio que, por ter sido ocupado de forma não legalizada, fosse um tanto desordenado e bagunçado. No final, acabei me surpreendendo muito positivamente, foi uma visita muito interessante e nosso grupo foi muito bem recepcionado. O lugar era muito organizado, tinha, por exemplo, portaria e coordenadores, os ocupantes se organizavam para ajudar a manter a limpeza do local e até havia a regra (levada a sério) de que aqueles que se envolvessem com drogas ou em brigas de faca estariam expulsos da ocupação. O local salvou um monte de pessoas, são muitas famílias que vivem lá (só de crianças, há 150). Ivanilda, quem nos recepcionou, nos contou, por exemplo, a história de uma mulher que vivia na rua e era viciada em drogas e que, quando veio morar na ocupação, pôde criar melhor as suas duas filhas e parou com o consumo das drogas.

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Foto da Ocupação Mauá tirada de seu pátio

– Isa Vieira

O meu segundo dia foi o dia da bike, no qual andamos cerca de 21 km de bike pela cidade e tivemos um almoço em um restaurante vegano, que valeu pela experiencia mas não pelo quanto andamos pela cidade. O que achei curioso foi o jeito como uma pessoa que anda de bicicleta consegue ver a cidade, e como os motoristas se relacionam com a ciclofaixa ou ciclovia. Foi bom poder vivenciar tal fato. Mas o que mais me marcou nesse dia foi saber a história do parque do “povo”, o que na sua ideia inicial, foi real, só que depois virou algo bonito para satisfazer uma classe social específica e não para o próprio povo, como algo funcional e de lazer, que só possui essa função nos finais de semana e feriados.

-Lí Garcia

No segundo dia meu grupo foi no Centro Cultural de São Paulo, local que muitos nunca nem haviam ouvido falar. Porém eu já conhecia. Era um dos lugares para onde o meu avô me levava quando eu era pequena. Me lembro de mim pequenininha lendo gibis da Turma da Mônica enquanto ele procurava entre as dezenas de prateleiras um livro sobre as memórias de algum soldado alemão da primeira guerra mundial. Meu avô faleceu no final do ano passado, e foi um choque voltar para uma das minhas principais lembranças de minha infância com ele. Passei pelas prateleiras de literaturas europeias com uma saudade enorme no peito e uma certa felicidade, de depois de tanto tempo poder reencontrar um pouquinho do meu avô nos livros que ele tanto gostava. Não vou me estender mais, meus olhos já estão marejados. Bateu saudades dele. -Vicky Piscopo

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