Diário de viagem – Vicky :)

   A aventura começou bem cedinho, dia 6 de maio. Saí de casa e nem tinha saido o Sol ainda, e cheguei na escola com ele começando a dar as caras por de trás das nuvens. Deixei minha mala no lugar certo, me juntei ao grupo 4… E até ai eu ainda não fazia ideia do que estava por vir. Só comecei a entender quando nos deram o primeiro destino e não deram um mapa, nem informações, nem possibilidade de uso de internet. Aí ferrou.

    Sorte do nosso grupo que um dos integrantes conhecia as ruas e o transporte público da cidade como a palma da mão, e logo nos guiou para pegar o ônibus que levava ao metrô santa cruz, e seria por este que chegariamos a nossa primeira parada: a estação Armênia.

       

vista da Estação Armênia, o rio na foto é o Rio Tamanduateí, e à esquerda está a Central Evangélica Armênia de São Paulo


    A nossa parada foi curta. Tempo suficiente para a monitora que estava conosco explicar um pouco da história do bairro e para nós tirarmos algumas fotos. Logo partimos para nosso segundo destino, o Terminal Tietê, que estava a apenas duas estações de distância.

    No terminal pudemos decidir para onde pretendiamos ir. A Teresa(professora) nos deu por volta de 40 minutos para ficarmos soltos e escolhermos por nós próprios o que faríamos lá. Algumas pessoas foram fazer entrevistas, outrar procurar contatos… Eu e mais algumas fomos tomar café e comer algum petisco na Casa do Pão de Queijo. O que me chamou a atenção na estação eram alguns velhinhos, que já bem de idade, iam lá apenas para jogar conversa fora e tocar piano. Eram fofos.

     Do terminal fomos andando para o Parque da juventude, que não era muito longe de lá, mas com certeza teria sido bem cansativo se o caminho não tivesse sido tão bonito e se não estivesse tão bem enfeitado por dezenas de grafitis em todas as “pás” do viaduto que dividia a avenida. Seguem aqui algumas fotos das obras que eu mais gostei:

   
      
Após algum tempo de caminhada(e muitas e muitas fotos) chegamos no parque. Foi outro momento em que Teresa nos liberou, contanto que nós não saíssemos do parque e nem nos adentrassemos muito nele(basicamente para ficar entre a ETEC e a biblioteca, ambas numa praça que marcava o início do parque). Aproveitamos claro, para tirar fotos e fotos de nós mesmos(tem que ter foto pro Instagram!) e também para conversar com muita gente interessante, como com policiais, um homem de pernas de pau(que não eram de madeira) e alguns garotos que andavam de skate por lá.

 
Depois desse tempo de interação, entramos no parque para ver o único muro que ainda existia lá da já demolida Penitenciária Carandiru.

 
 E então fomos andando até o Museu da Penitenciária Paulista, que do outro lado do parque. Passamos por algumas quadras, alguns espaços de lazer(fiquei surpresa com a quantidade de adolecentes jogando bola quarta feira por volta das 11 horas da manhã), e depois de uma caminhada chegamos ao museu.

Tenho que adimitir: apesar de extremamente massante, eu ADOREI a visita. Gosto de ver coisas que estão muito longe de tudo que eu conheço. Como por exemplo, depois de diversos painéis e muita leitura: as celas escuras. Um pequeno cubículo totalmente privado de qualquer luminosidade, ventilação adequada e conforto. Me deu um terror só de ter ficado la durante 1 minuto, não consegui nem imaginar como seria os meses que os prisioneiros passavam lá dentro.

Quando realmente começamos a ver as coisas mais interessantes do museu, como as armas improvisadas, as Teresas e os estilos de tatuagens, tivemos que sair correndo. Pois em poucas horas teríamos que já estar de barriga cheia para podermos ir para a oficina de corpo do Zé Maria.

Nosso almoço foi num restaurante super charmoso chamado Conceição. Lá eu comi a melhor “galinhada” que eu ja tinha comido(sinceramente não sei se era porque era muito bom mesmo ou porque eu estava quase desmaiando de fome), e foi ótimo para repor as energias, sentar um pouco e descansar.
Porém, depois de todo mundo ter se empanturrado de arroz e galinha, tivemos que sair correndo, por um caminho apenas de subidas sinuosas, para onde teríamos a oficina. Foi cansativo.

Não vou contar da oficina do corpo, pois já aprendi que existem experiências, que não importa o quanto você explique, a quantidade de detalhes que você dê, o quanto você insista: quem não viveu não irá entender. Foi assim com o teatro do 9o ano, foi assim com a oficina do corpo, é assim com muitas coisas.

Pois bem. Relaxados, saímos da oficina para buscar nosso caminho para o centro da cidade, onde tinhamos uma visita agendada à uma ocupação. AH, esse caminho! 

Demoramos muito até achar a bendita da rua Marconi. Andamos muito, perguntamos muito, nos perdemos… Foi complicado. Mas depois de muito esforço, finalmente achamos.

Fomos recebidos por pessoas muito simpáticas, que logo nos levaram para uma sala que era a creche da ocupação e tiveram a paciência de responder nossas muitas perguntas, além de contar bastante do movimento, de forma bem compreensível e até que bem detalhada. Foi interessante ouvir este lado da história.

De lá, finalmente! Hotel. Cama. Comida. Descanso. Bom, pelo menos por meia hora.

Saímos de um dia de correria para uma noite de correr, e de pular, e de escalar. Foi a noite das atividades na praça Roosevelt. 

Tinha 3 opções: parkour, break-dance e sticker. Eu escolhi a mais legal. Sempre gostei muito de esportes e disso de mais emoção. Até gosto de dançar, mas já faço isso toda semana. Tem vezes que até da vontade de pular o muro da escola(piada! Não levem a sério!), mas daí já fica mais complicado. Melhor pular o muro da praça mesmo.

Resultado: tentei pular os muros? Tentei todos. Consegui pular os muros? A maioria. Saí cheia de hematoma e toda dolorida? Óbvio. Foi legal? MUITO legal.

Final do dia.
     Dia 2!! Bom dia!! Nada como ser acordada por despertador e caminhão de lixo passando na rua(aliás nota para mim mesma: pesquisar por que passava tanto caminhão debaixo da nossa janela).

Enfim, depois de tomar café, nos arrumar, finalmente acordamos. E fomos para nosso primeiro destino: a Federação Espirita do Estado de São Paulo. Foi bem interessante. Apesar de eu não ter religião nem acreditar em Deus, foi algo que me tocou muito, toda aquela fé reunida num local é algo muito bonito. Até achei legal o Passe e a palavra que disseram lá. Foi bem bonito mesmo.

Depois de lá fomos para o Mosteiro Budista. Esse eu achei MUITO impactante. O monge que nos recebeu nos ensinou como nos portar num mosteiro, como meditava e teve a paciência de explicar tudo que nós perguntavamos sobre o budismo. Foi muito interessante, e só aumentou uma curiosidade antiga minha sobre essa doutrina.

De lá fomos comer. Andamos andamos andamos esse dia. Essa comida foi maravilhosa no momento de fome em que estavamos. Foi um dos melhores yaksobas que eu já comi! (Esse com certeza não foi só por que ej estava com fome). E foi muito divertido o almoço, conversamos, comemos, rimos… Foi “top”.

Depois de novamente empanturrados, decidimos fazer a digestão e ir andando para a próxima parada: o Centro Cultural de SP. Eu provavelmente nunca teria aceitado se eu soubesse que seria tão desagradavel essa ida. Estava garoando forte, o tempo tinha mudado totalmente e agora estava frio, era muita subida… Argh! 

Mas finalmente chegamos lá. E devo adimitir que não foi lá uma visita muito prazerosa pra mim(ler post “segundo dia”) mas no final tomei coragem para ir na biblioteca e explorar um pouco o Centro. Lá também decidimos para onde deveríamos ir, tinhamos 4 opções: Casa das Rosas, Parque Trianon, Centro Cultural do Itaú e Loja Caos. No final, depois de uma votação, escolhemos a Casa das Rosas e a loja Caos. 

Fomos de metrô até a Casa das Rosas. Lá estava tendo uma pequena exposição, e eu senti que quem estava indo lá pela primeira vez se decepcionou um pouco. Mas a casa continua sendo linda e o jardim mais ainda. Ficamos um pouco lá rodando e fomos para a Loja Caos.

 
Fomos até a esquina da Av. Paulista com a Augusta de metrô e de lá descemos a Augusta inteira, para só depois de muita caminhada chegar na Loja, que era quase no final da rua.

A decoração da loja é algo simplismente indescritivel. Eu poderia até postar uma foto, mas não há como entender o que está acontecendo nem o que há na foto. É uma mistura de brinquedos dos anos 70, com cabeças empalhadas, com placas antigas, com luzes esquisitas… É tudo muito louco.

De lá foi apenas mais uma andadinha até o hotel. E foi hora de descansar. Pelo menos até o sarau, onde os alunos mandaram muito, mas(não querendo ser puxa saco) or professores arrazaram!

Fim do dia.

Dia 3.

Nosso dia 3 foi o dia de andar de bike. A apesar de não ter sido roteiro surpresa me surpreendeu tanto quanto.

Me perdooem, mas eu não sei descrever nosso percurso. Eu fui prestando tanta atenção nos detalhes do caminho que não reparei direito nos nomes das ruas. Posso tentar falar os pontos de referência que eu peguei no caminho. Talvez sirvam para uma breve localização:

  • Teatro Municipal
  • Estação da Luz
  • Várzea da Barra Funda
  • Avenida Sumaré(não consegui subir)
  • Ruas da Villa Madalena/Pinheiros
  • Parque do Povo

Pois bem. Depois disso fomos comer, o que deu um certo trabalho por que não tinha planejamente prévio de onde iriam colocar 22 pessoas esfomeadas para comer.

Mas no final acabamos pegando o metrô para chegarmos ao bairro do Belém e lá encontramos um restaurante self service com um churrasco delicioso. Foi bom demais.

E por fim, para completar a odisséia, fomos para a Vila Maria Zélia, onde vimos uma apresentação de teatro totalmente diferente de tudo que eu já tinha visto. Um teatro a céu aberto, utilizando-se das próprias casas da vila e interagindo com o público? Gênial!!

Bom. Fizemos então um fechamento de tudo. Foi muito lindo e muito emocionante. Nessa hora até caiu um cisco no meu olho.

E assim terminou. Fomos para os ônibus e nos despedimos do nosso último estudo do meio(ai que triste pensar nisso!), e no final até ganhamos de brinde aquela uma hora no ônibus, típica de estudos do meio, para brincar e cantar músicas! Adorei tudo!

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