Na esquina mais famosa de São Paulo

No primeiro dia da viagem do Estudo do Meio, eu e meu grupo (roteiro 6) estávamos andando da Rua Santa Efigênia até a galeria do Rock e passamos pela esquina da Avenida São João com a Ipiranga, mais conhecida como a esquina mais famosa de São Paulo. O professor Marcos (professor de geografia do ano abaixo), que estava nos acompanhando naquele dia, me contou que ali era o Bar Brahma, um tradicional bar da cidade, fundado em 1948. O bar testemunhou importantes fatos da nossa história, ele esteve presente desde as acaloradas discussões sobre a repressão política na década de 60 até as comemorações de 450 anos da metrópole em 2004. O lugar viveu dias de glória nos anos 50 e 60, quando era ponto de encontro de intelectuais, músicos e políticos, mas na década de 90 teve um período de decadência, sendo revitalizado em 2001. O estabelecimento realmente se localiza em um endereço poético, pois como já dizia Caetano Veloso em sua famosa música Sampa (de 1978), sobre a cidade de São Paulo, “alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João(…)”. Aqui embaixo estão algumas imagens do bar e o vídeo da música de Caetano.

Sampa – Caetano Veloso

Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas

Ainda não havia para mim, Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João

Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos Mutantes

E foste um difícil começo
Afasta o que não conheço
E quem vem de outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso

Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva

Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os Novos Baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa

Bar Brahma, na esquina da Avenida São João com a Ipiranga

Bar Brahma, na esquina da Avenida São João com a Ipiranga (https://critiquese.wordpress.com/2010/06/)

– Isa Vieira

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