As Rodas de Samba e Liberto Trindade

Retomando os nosso tema “Histórias de bar” tais estabelecimentos no Brasil sempre foram os locais que abrigavam as famosas rodas de samba que designam uma mistura de música, dança, poesia e festa.O “samba de roda” teria surgido por inspiração sobretudo de um ritmo africano, o semba, e teria sido formado a partir de referências dos mais diversos ritmos tribais africanos. Com a modernização e urbanização do samba de roda os bares acabaram por se tornar berços de compositores e músicos renomados. Assim na nossa visita à sede da escola de samba Vai Vai, tivemos uma conversa com Liberto Trindade que nos contou um pouco mais sobre o estilo musical e sua própria história dentro do samba.

“Foi no período de 77 que eu vim pra escola já com

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Liberto Trindade em 8º Cine Palmarino – “Solano 100 anos” http://cinepalmarino.blogspot.com.br/p/fotos.html

o embaixador; . A gente tem um trabalho aqui bonito mas falta algumas coisas que a escola precisa se apegar que é a questão da cultura geral. O que eu quero dizer é o seguinte: se a gente não faz uma cultura como um todo então  fica aquela coisa ah os cara são bons de bumbo, reco-reco,  os caras só sabem sambar e não conseguem enxergar o trabalho que a escola fez ao longo dos anos.”

[…]

No nosso tema procuramos despragmatizar a figura da pessoa que frequenta os bares, assim, podemos ver a relação com a visão que as pessoas tem sobre o samba esquecendo de todo seu aspecto cultural e social.

“Veja bem eu estou com duas aposentadorias e além de trabalhar eu fui do movimento negro, desfilo no Afoxé a 32 anos, trabalhei em teatro e em várias empresas de São Paulo e Rio de Janeiro,  fui a terreiro de candomblé e ao mesmo tempo fiz tudo isso. Mesmo trabalhando e tendo hoje quatro filhos, o samba não atrapalhou em nada. Eu já fui sindicalista… fui diretor sindical seis vezes e já apanhei da policia, já levei muita borrachada. Eu só não apanhei no samba porque eu já cheguei numa época maleável a década de 60, mas antes dos anos 60 a polícia vinha furar o couro, furar os instrumentos”

.

“O samba é se vivenciar a cultura, é uma universidade da vida, um verdadeiro ensinamento. Ele conta a história do Brasil, conta história do mundo, conta história dos artistas, dos poetas, do pessoal que trabalha com xilogravura com pintura,  fala dos operários das empregadas domésticas.Toda a sociedade e todas as classes sociais estão embutidas aqui. O samba é uma maravilha! É uma coisa que a gente se orgulha de dizer que é sambista.”

“O samba já falou de todas as culturas e tem muito mais pra falar. Por exemplo se a gente fala da Bahia agente não consegue terminar 20 ou 30 anos… de São Paulo também não consegue terminar…  da Vai vai também não. Eu já aprendi tanta coisa. O samba é tão rico tão gratificante sabe? Não tem palavras. Estou falando assim porque ele nos possibilita cultura.Então quando vocês saírem daqui saiam com essa imagem positiva do samba.”

“Você se assustava quando há 10 anos atrás o ônibus parava aqui em frente e descia uma montoeira, um formigueiro de gente. Então a Vai Vai é um quilombo urbano mesmo, no sentido de ser um centro de resistência. Você vê essas pessoas hoje cantando suas próprias composições e fazendo coisas muito bonitas. Eu ainda vou ver eles tocando em bares, até na televisão sendo reconhecidos. ”

Homens vestidos de mulher no carnaval de rua de São Paulo http://fashnblog.blogspot.com.br/2013/02/fantasias-de-carnaval.html

Homens vestidos de mulher no carnaval de rua de São Paulo
http://fashnblog.blogspot.com.br/2013/02/fantasias-de-carnaval.html

Liberto terminou a conversa falando um pouco sobre seu pai Solano Trindade, poeta e artista brasileiro e forte integrante do movimento negro e de lutas populares. Queria pegar esse espaço do blog para compartilhar um video que relata melhor a vida de Solano e suas convicções e ideais que acabaram sendo passados para Liberto, tornando-o assim o homem engajado no social e apaixonado pelo samba que vimos na nossa visita  à sede da Vai Vai.

“Ainda sou poeta
meu poema
levanta os meus irmãos.
Minhas amadas
se preparam para a luta,
os tambores
não são mais pacíficos
até as palmeiras
têm amor à liberdade”.
(trecho do poema “Canto dos Palmares”)

Solano Trindade

Solano Trindade

Um beijo!

Carol Medina

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