Ultimas Conversas – Uma Análise Sobre a Velhice e a Juventude

O filme Últimas Conversas, dirigido por Eduardo Coutinho, tem 75 minutos e estreou no dia 7 de maio de 2015 no festival de longas É Tudo Verdade. O documentário intercala entre entrevistas com jovens majoritariamente de escolas públicas do Rio de Janeiro e com o próprio documentarista Eduardo Coutinho. A morte do diretor ocorreu subitamente no final da produção do longa que, por isso, foi montado postumamente por João Moreira Salles e Jordana Berg. 

A escolha de fazer o filme com jovens foi desanimando o cinegrafista durante as filmagens . Coutinho, no início do filme, relata às câmeras que ele queria respostas menos óbvias e seu desejo real era de entrevistar crianças, por conta da pureza e ingenuidade características da infância se contrapondo à visão mais pessimista dos adolescentes sobre o mundo. Ao final da obra há uma entrevista com Luiza, uma menina de 6 anos, que muda o filme totalmente de atmosfera. Luiza vê questões como família e religião com muita inocência,  que causa humor e descontração, contrastando com os relatos dos jovens que se mostram mais negativos e descrentes por conta de terem sido tocados por experiências fortes.

O documentário apesar de selecionar entrevistados com características semelhantes, apresenta  adolescentes muito diferentes entre si.  Uma das meninas, por exemplo, fala com os olhos brilhando sobre o namorado logo após se abrir sobre o seu passado doloroso, enquanto outra argumenta que o amor é uma ilusão, colocando-se numa posição mais  incrédula. Os entrevistados também apresentam perspectivas diversas e às vezes até opostas sobre assuntos como cotas raciais para universidades públicas e a relação deles com os pais. A película , assim, não demonstra nenhum juízo de valor, pois iguala a relevância de todas as opiniões.

Outra antítese presente  é o distanciamento do cinegrafista com os entrevistados, seja por raça, classe social ou idade. Apesar disso, o longa, ao incluir o relato inicial de Coutinho, apresenta também uma forma biográfica de retratar as visões do diretor e seus sentimentos. Ao olharmos para o filme com a noção de que ele foi contemporâneo à sua morte, é possível perceber uma conexão entre temáticas da adolescência e a própria vida de Coutinho. Assim, o longa, citando Machado de Assis, consegue  “atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência”. Portanto, o filme é extremamente recomendado aos leitores que se interessam por documentários e por Eduardo Coutinho.

Aqui está o trailer do filme:

http://www.youtube.com/watch?v=VYt77oTefCE

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